Dualidade
É nessa nossa experiência humana e material onde a dualidade se manifesta. O bem e o mal, o dia e a noite, a vida e a morte, o positivo e o negativo, são experiências de dualidade. Ao nascer, você ganha de presente uns óculos, que pode ser azul, outro quadrado, outro brilhante. Isso são as suas crenças, paradigmas que podem ser culturais, sociais, familiares ou individuais; e vai nortear a forma de encarar sua vida.
Seus valores, desejos, sonhos e medos são formados, e dessa forma o mundo que habita começa a fazer sentido. O “eu” e “meu” existe para dar nosso direito pessoal no mundo. O bebê, ainda não tem isso muito definido, e a medida que vai crescendo, vai sendo aprimorado.
O que acontece é essa sua “verdade” começar a ter uma força muito maior, e então começa a separar o certo do errado, o bem do mal, o medo da coragem; o ódio do amor; o que eu faço do que o outro faz.
No entanto, tudo isso é oposto e complementar. Um não sobrevive sem o outro. Ele pode ser entendido como tudo aquilo que não aceitamos de negativo e que não queremos mostrar aos outros. É aquilo que nos incomoda, mas escondemos, ignoramos, porque temos medo de lidar com eles, são sentimentos, emoções, traumas adquiridos na nossa infância.
Nossa mente nos diz que o mal é mau, que o bem é bom, e que jamais poderemos ser tudo que sonhamos, mas, se nossa sombra pudesse falar, ela nos diria o contrário. Ela nos diria que a luz mais radiante só poderá brilhar quando tivermos aceitado a escuridão.
Ao sentir a dor da solidão, nosso coração se abre para sentir mais amor; ao superar as pessoas e situações que nos oprimam, percebemos a profundidade de nossa força. Quando estamos dispostos a reconhecer que a dor, os traumas e as mágoas realmente nos equiparam com a sabedoria essencial para o crescimento, naturalmente perdoamos e até abençoamos aqueles que entraram em nossa vida para nos ensinar essas lições difíceis.*
Quando negamos um dos lados dessa moeda, estamos nos separando do outro. Começamos a julgar mais, a projetar no outro, a culpar, a idealizar o outro e criamos conflitos.
Minha dica é se desprender, entrar em contato com seus sentimentos e acolher, aceitar que podemos sentir amor e raiva, medo e coragem, e tudo isso está ok.
Busque sempre a plenitude. Quando percebemos que vivemos numa malha onde tudo e todos estão interligados, descobrimos que nada é isolado.
A meta é recobrar a lembrança de quem você realmente é. Sua verdadeira essência. Em algum momento percebemos algo além dessa matéria, que você não é só seu corpo, seus pensamentos e memórias. E quando você sente isso dentro do seu coração, a vida passa a ter outro significado.
*Deepak Chopra